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01 julho 2010

sonhos de mil e uma noites

vai-me na alma um desejo louco de me lançar no vento e ir sem destino. correr mar e terra. chegar ao fim dos horizontes das índias e das américas na proa de uma caravela portuguesa. conhecer a europa a cavalo do touro apaixonado. dançar ali-babá. fumar o cachimbo da paz. conhecer os maias, os himalaias, as cataratas do niagára. quero descobrir os jardins suspensos, encantados da babilónia, o meu paraíso na terra. quando eu morrer quero ir para lá. sou boa pessoa. quero ler os hieróglifos, os caracteres. comer à chinês na muralha da china. rezar nas basílicas. tocar com a ponta dos meus dedos as aureas broeais. seduzir no tango. amar com paixão. cantar a ópera. dançar o corridinho.
quero ir no vento como uma penungem. e ir e voar, planar... daqui ali num instante.
eu lembro-me, em criança, que os sonhos eram tão verdadeiros, parecia que ia a todo o lado quando sonhava. mas depois acordava e não via ali nada ao pé da mão. mas à noite, quando me deitava na minha cama de lençóis de flanela cheia de elefantes pendurados em quarto de luas amarelas, eu aninhava-me em mim e fechava os olhos para mais uma aventura. mais uma noite de sonhos. tive mil uma noite de sonhos de magias, de lamparinas, de lanternas, de mágicos e sereias. agora sonho acordada e dizem-me que tenho a cabeça na lua. ah se soubessem...

vai-me na alma um desejo louco de me lançar no vento e ir sem destino. correr mar e terra. ir além-mar. conhecer pescadores e pastores e deitar-me entre as ervas, cheirar uma margarida e sorrir com o sol de chapa na cara. chapinhar nos riachos da chuva e correr à frente de toda a gente. como uma menina irrequieta!

ah se soubessem...

28 junho 2010

orquídeas

as flores estão a cativar-me. anseio por ser uma pessoa mais disciplinada e querer cuidar delas. a orquídea branca é a paixão da minha mãe. cuida dela com um carinho enorme. já teve algumas. umas morreram. mas é uma flor sempre bem-vinda a minha casa. desde sempre me habituei a vê-la junto das paredes da casa. já me viu chorar. já me viu rir. já me viu escrever. ela mantém-se sempre bela a cada chegada da primavera. e alegra-me. alegra a casa. a sua presença tão singela, tão mimosa... faz-me perder bocadinhos de tempo preciosos junto dela. é uma flor muito bonita. é uma flor que me recorda sempre a minha mãe. faz-me sorrir quando estou triste ou chorar tudo de uma só vez. faz-me ser eu. inspirar bem fundo e encher-me de mim!

12 junho 2010

título mundial de setas


Viva os portugueses alentejanos que arrecadaram o título mundial de setas no país das oportunidades! Os alentejanos que trabalham oito horas diárias e embora federados só treinam após o horário laboral nos bares e cafés.

23 março 2010

mulher violada

Violaste-a. Rompeste-lhe a alma. Rasgaste os seus tecidos vaginais, a sua pele, o seu orgulho, o seu ser. Deixaste-a banhada em lágrimas, sangue e semén. Deixaste-a ali largada. Cuspiste-lhe na cara, em cima, com despeito do corpo que fodeste sem dó nem piedade, sem respeito, sem uma ponta de humanidade de um monstro como tu! No virar de uma esquina donde só as sargentas imergem porque nem as ratazanas do esgoto surportaram tamanha bestialidade só denunciada, a custo, pelos gemidos aflitos dessa mulher. É morena? É loira? Ruiva? A raça? Isso importa?!
Mataste depois... minutos após teres fumado o teu charro ou a tua ganza, a tua droga!, depois de teres vestido as calças, o único som que aquela mulher podia ter ouvido foi o fecho ecler dessas calças sebentas de ganga barata e fedorenta. Mataste-a por dentro. Mataste-a depois com as tuas próprias mãos. Viste-a agonizar e aquilo deu-te gozo. Ninguém viu.
As putas da esquina deram com ela sem querer quando iam cobrar um serviço rápido e barato a meio da madrugada. Ligaram o 112. Todas as que viram aquela mulher ensaguentada, de roupas rasgadas, cara desfeita, apenas uma ficou. Enquanto a justiça dos homens tardava a chegar, essa puta de rua rezou-lhe um Pai Nosso e uma Avé-Maria, fechou-lhe os olhos, tapou-a com o seu casaco de peles comprado na feira da ladra. E esperou.