
cheiro a nicotina, descafeinado, café das índias, café, chocolate a derreter na boca. é uma aventura sentar-me numa destas mesas de pinho mel entre mulheres e homens. eles falam de futebol e gajas, literalmente gajas, e futebol e motas mas também vão variando entre um tema e outro lá vai surgindo umas conversas de algo mais prático e interessante; a motivação da conversa delas agora é sobre não sei quem que vem não sei de onde não sei quando, uma pausa da estimação do farmville.
ah o farmville... coisa estranha essa, parece um virus que se instalou por todo o lado. falam constantemente do farmville. uma porque tem a torre eiffel, a outra que tem a pisa; uma qualquer fala da colheita da "árvore dos morangos", a outra que tem um poço... e todas ao mesmo tempo nem sei como se entendem. os homens desdenham, riem-se entre si da figura burlesca das suas mulheres; mulheres vazias de si, cheias de pretensões fúteis. satisfazem-se assim sem conhecer o mundo fora do seu umbigo, abaixo do seu nariz.
o tabaco acalmou. elas continuam na conversa agitadíssima, super interessante - o ponto alto da semana delas - o volume deles baixou; o meu chocolate preto da côte d'or está a chegar ao fim, já só me falta um quadrado...
chegou ao fim. já não tenho o sabor inical do café da máquina nespresso, dos grãos de café compactados nestas embalagens modernas que se enfiam nas ranhuras das novas máquinas de café.... como é que enfiam ali bagos e bagos de café? é curioso, no mínimo. enfim! modernices como diria a minha mãe. eu, pessoalmente, para mim e para vós profiro a minha frase de excelência que ainda nem publiquei no quadrado das coisas de momentos: "a ignorância é má mas a limitação é muito pior. combates a ignorância de uma pessoa com instrução e dedicação; mas a limitação... como combates?"
fizeram uma pausa do tabaco. comem pevides e tremoços; falam dos aborrecidos e doutras coisas que sei lá... são tão banais que nem chegam aqui, a dois metros de distância entre mim e eles; elas falam mal deles entre si e programam a sua noite de sábado deste fim-de-semana que será uma quebra de rotina dos últimos meses; não descansarão a língua mas talvez as costas depois de meses de trabalho duro na quinta.