Eu não tenho medo!!
O meu sangue é veneno
e eu vou em frente!
Sem armas, sem cavalo,
hei-de subir as ameias daquele castelo
e matar o mouro,
mostrá-lo a quem quiser ver.
Serei vento, serei tempo,
donzela vestida com meias de liga,
cortesã sem quaisquer maneiras.
Serei louca, serei mouca
e na mão, o pano do estandarte,
que levanto aos céus para que se veja bem ao longe,
é feito dos véus rasgados
dessas meninas tímidas
de fatos molhados entre as pernas.
Quando a alvorada for denunciada
pelo galo pomposo da quinta
as quinas estarão bordadas no regaço
dessa guerreira, dessa rameira, dessa mulher,
que luta por tudo até ao fim.